25 de abr de 2017

[Falando em]: Anjo Negro — de Mallerey Cálgara

Eu adquiri esse livro na Bienal (em 2012), onde conheci a autora que é muito simpática e dedicou o exemplar. A propósito, eu já havia lido e resenhado a obra no meu antigo blog (hoje não mais existente), e por ter curtido a leitura, resolvi reler e resenhá-lo aqui. Confira a sinopse, book trailer e o meu parecer sobre "Anjo Negro", livro da autora Mallerey Cálgara, em sua primeira edição, pelo selo Novos Talentos  editora Novo Século.


Sinopse: Na antiga Londres do Séc. XVII rondava um boato que as ruas noturnas eram tomadas por seres devoradores de almas, os Parasitas, e que os Potestades tinham o dever de colher essas almas e encaminhá-las para o descanso. Para cada dez mil almas recolhidas uma era resgatada do Umbral. Poucas pessoas conseguiam ver esses seres, apenas aquelas que possuíam um poder espiritual altíssimo e, dentre elas, estava alguém que teve a sua humilde vida transformada, quando não acreditou nos boatos e passou a circular à noite nas ruas da cidade. 




"Porque a escuridão tende apagar a luz"  


Um enredo surpreendente!

Antiga Londres, Século XVII
Enquanto cessava o fim da peste negra na Europa, as ruas eram tomadas pelos Parasitas, os devoradores de almas. E para cada dez mil almas recolhidas, uma era resgatada do Umbral. E no meio desse caos conhecemos Alan, um jovem médico de bom coração, além de Bridget, um anjo que desceu na forma humana para resgatar almas e que acabara envolvendo-se e apaixonando-se pelo doutor, caindo de vez na Terra como humana. Ambos se casam e acabam por conceber Darian, um semimortal que pode transitar entre dois mundos: o real e o espiritual. Tempos depois, Bridget é abordada por Pazuzu, um anjo caído com poder da possessão do corpo humano, onde começa atormentá-la e ameaça em levar a alma de Darian, a fim de torná-lo membro do seu exército.
Contrariando as leis divinas, deu início a um sofrimento ainda maior. Sem condições de ser ajudada pelos Potestades, que a observavam do outro lado sem poderem fazer nada diante de sua decisão, foi resgatada pelos seres das sombras e levada ao vale dos suicidas, um lugar sombrio que passaria a chamar de casa. Seu tempo ficou estagnado e passou a sentir repetidas dores sem fim de seus ossos sendo esmagados pelos cavalos. Agora, de onde estava, não poderia fazer mais nada para defender seu filho, apenas ter a eternidade para se culpar e deixar o remorso corroer-lhe a alma. (Livro: Anjo Negro, Pág.19)
Bridget se suicida, deixando o marido e o filho estilhaçados. O médico, por sua vez, acaba por adotar Erick, um amiguinho de infância de Darian, que sofria horrores nas mãos do pai alcoólatra, e Margot, uma garotinha que perdeu a mãe no parto. Contudo, anos depois e já adulto, Darian começar a ter alguns sonhos estranhos e conhece o seu anjo da guarda, Hadji, uma garota que sempre esteve ao seu lado, protegendo-o e elucidando-o sobre sua real missão na Terra, algo que a família aceita a contragosto, com a promessa de um breve retorno.
 Você pode resgatá-la de onde está!
 Como?  perguntei novamente, parando, e, dessa vez, virei-me para trás para certificar que ele não estava mentindo. 
 De todas as almas recolhidas nessa caixa para Cérbero, o cão de três cabeças que vigia a porta do inferno, em troca da alma de sua mãe. Apenas dez mil almas simples, comuns, por uma especial, uma troca justa. (Livro: Anjo Negro, Pág.76)

Afastado há tempos de casa, Darian é treinado para se tornar um Potestades e, desta forma, resgatar almas. No entanto, a proposta tentadora do demônio Iblis, não sai da sua mente. Ele volta para casa, em busca da alma do pai, que foi vítima de um incêndio cometido por demônios. E sem pestanejar, retorna para perto dos irmãos adotivos, com Hadji ao lado. Entre o bem e o mal ele terá de tomar uma decisão: se segue com sua missão na Terra; ou se acaba por livrar a alma da mãe do Umbral, servindo a Lúcifer e tornando-se o "Anjo Negro".
 Não perca essa chance, Darian. Nesta caixa já tem mais de cinco mil almas que estarão prontas em pouco tempo para se juntarem com as suas. Pense na sua pobre mãezinha que está sofrendo naquele lugar horrível, sozinha, chamando por você...  falava mansamente para mim, com uma voz que soava como música em meus ouvidos, me fazendo caminhar em sua direção, como se estivesse hipnotizado pelos movimentos de sua mão me chamando para ir ao seu encontro, enquanto o seu outro braço estava esticado segurando a caixa, me entregando. (Livro: Anjo Negro, Pág.158)
Falar desse enredo é uma divergência e tanto! Lembro-me que quando o li pela primeira vez, já havia gostado. Porém, agora, me envolvi muito mais e... PQP, ainda aguardo uma continuação. O enredo é um mix entre o bem e o mal, com uma boa pitada de espiritismo, algo que, em partes, acredito. Acho que por esse motivo a história me envolveu, pois além de ser um enredo sobrenatural, és enveredado com preceitos dos quais tenho  digamos assim  pouco conhecimento. 

Eu senti o grande dilema de Darian, pois ter a oportunidade de salvar a alma de quem se ama, sacrificando tantas outras, é uma decisão difícil. Além de todos esses impasses, há uma revelação adornada em paixão, algo que sempre me fez querer uma continuação dessa história. O final é impactante, a autora soube fugir do clichê, deixando-me numa paúra irremediável. Se eu gostei do livro? NÃO! EU NÃO GOSTEI... EU AMEI!!! E leio até mesmo a lista de compras da Mallerey. o/ 

O livro é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está excelente, com fontes e espaçamentos bons, adornado em papel offset (o branquinho); a capa é singela e bonita, estampando Darian entre o bem e o mal. Por fim, para quem curte uma leitura rápida, com um enredo sobrenatural, essa é uma excelente pedida. 


Livro: Anjo Negro
Autora: Mallerey Cálgara
Gênero: Ficção  Sobrenatural
Editora: Novo Século  Selo Novos Talentos
Ano: 2011
Páginas: 208

Sobre a solidão... — por Simone Pesci


Já faz alguns anos que adotei a solidão como morada. Inicialmente pensei que fosse algo passageiro, uma fase ordinária. Mas com esse prazo de validade indeterminado, constatei o quão atroz és. Anseio por uma coletividade de prazeres  e, ao mesmo tempo, um regalo nessa terrífica morada que instalou-se no meu peito. Pode parecer loucura, mas essa desarmonia coletiva me faz querer continuar. Sinto falta da pessoa que fui, mas me adaptei nesse ninho eloquente e aconchegante, que abriga a minha obscura particularidade. No mais, por mais insano que pareça, ainda anseio tocar o poente. É isso!" 
Boas noites! 
Bons dias! 

por: Simone Pesci

21 de abr de 2017

Abra o seu coração — por Joyce Xavier




Pois é menina, eu sei que as coisas não estão fáceis. Eu sei que você tem passado por momentos complicados, por tristezas momentâneas e desafios estranhos. Eu sei, já aconteceu comigo também. Sei também, que a ansiedade te consome, que seu coração aperta, e às vezes, o ombro pesa. É o momento que você pede cama, e não sente a menor vontade de levantar. 

Eu sei que você sente dores de cabeça, chora sozinha e não entende a sua existência no mundo. Eu também não sei o que estou fazendo aqui. Mas a única coisa que eu sei, é que você não pode deixar a peteca cair. Você não pode viver desconfiando do mundo, você não pode evitar novos caminhos, permita que eles sejam abertos pra você. 

O segredo é levantar todos os dias agradecendo, e também, conversar consigo mesma pedindo sabedoria. Porque lidar com os problemas não é fácil, mas não gere mais problemas em cima de um único problema. Viver de pertubações é inadmissível na cartilha da felicidade. 

Deixe que o vento sopre a seu favor, deixe que o tempo cure a sua dor, deixe que as coisas boas cheguem até você. 

Abra o seu coração. 

[Falando em]: O Menino do Metrô — de D. A. Potens


Eu baixei esse conto gratuitamente em formato digital, pois tudo nele chamou minha atenção. Eis que me deparo com um conto permeado em sentimentos adversos, além de muito intenso, algo que curti bastante. o/ Confira a sinopse e o meu breve parecer de “O Menino do Metrô”, um conto de Danilo Almeida  pseudônimo D. A. Potens , uma publicação digital e independente. 



Sinopse: Em quais lugares podemos encontrar uma paixão e aproveitar os prazeres do corpo? Em esquinas, açougues, baladas, faculdades ou escolas? Daniel, feliz ou infelizmente, encontrou a sua no metrô da Linha Vermelha de São Paulo. A partir desse encontro, ele sonhou com um sentimento arrebatador de desejo, apesar de estar conturbado pela depressão e por pensamentos destrutivos. Ele então tentará decifrar o garoto misterioso e tentador com quem trocou carícias no aperto do vagão. Entretanto, quando estamos à procura de um provável amor, há males dos quais não podemos fugir, e Daniel descobrirá isso da pior maneira. 


À   procura de amor, há males dos quais não podemos fugir...” 








Um conto intenso! 

Daniel Arantes mora na Zona Leste de São Paulo e tem vinte e dois anos. Ele é um rapaz acima do peso, o que muito lhe incomoda, e aceitou-se — de forma restrita — homossexual na adolescência. Por algum tempo, envolveu-se com algumas garotas, tentando convencer a si e aos outros sobre sua inexistente heterossexualidade. 
Os anos foram varridos sem esperanças. Eu cresci e me rebelei contra mim mesmo. Entrei na academia, tentei ficar forte e passei a navegar nos aplicativos de paquera gay a fim de movimentar minha vida. Consegui? Sim. Até então eu não conseguia transar com ninguém, mas esporadicamente um ou outro me aceitava e, assim, eu vagava na esperança de ter algo ou alguém. Usei e me deixei usar, mas quanto mais eu fazia isso, menos percebia que um buraco estava se abrindo dentro de mim... E há buracos que não podem ser fechados sem que uma parte de nós morra. (Conto: O Menino do Metrô, Cap.1) 
Ele queria ser aceito e sentir-se atrativo, além de viver um grande amor, algo que não aconteceu. Desta forma, passou a viver sua sexualidade — digamos assim — virtualmente, sentindo-se insatisfeito. E num dia qualquer, ao enfrentar mais uma maratona de metrô para o trabalho, no meio de toda aglomeração urbana, se vê envolvido por carícias de um outro rapaz. 
Eu via o meu corpo e praguejava. Será que Deus era tão maligno a ponto de me dar algo demonizado? Talvez aquele rapaz só me acariciasse por causa da libido. Sabe por que digo isso? A maioria só queria transar, gozar e ir embora. Faziam-se de simpáticos, gostavam de tudo na cama, mas depois desapareciam! (Conto: O Menino do Metrô, Cap.3) 
Daniel teve três tentativas de namoro, porém foi traído por todos em menos de um mês. E ao reencontrar o menino do metrô, tenta se aproximar. No entanto, leva um fora. 
Meus sonhos seriam enterrados; meus objetivos, condenados. Mas se isso apaziguasse o caos que crescia dentro de mim, era melhor que eu partisse. (Conto: O Menino do Metrô, Cap.6) 
Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers

Esse conto foi uma belíssima surpresa, pois retrata a sexualidade e suas vertentes de forma verossímil. Eu, particularmente, me surpreendi. Apesar de ser um conto, é muito intenso e me fez querer ler mais. O autor dissertou o cotidiano de um rapaz que anseia em ser amado  e, ao mesmo tempo, subjuga-se de todas as formas. Eu consegui sentir o protagonista em grandeza e verdade, e senti vontade de acalentá-lo, elucidando-o sobre alguns pontos, afinal, devemos encarar as tribulações da vida, mesmo sendo elas aterrorizantes. EMPATIA! Eis a fórmula para sobreviver a essa selva de pedra que é a vida. 

A história é narrada em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está boa, no padrão digital; e a capa estampa O Menino do Metrô, condizendo com o conto. Por fim, para quem gosta de uma leitura rápida e tocante, eis essa excelente pedida. 



Conto: O Menino do Metrô 
Autor: D. A. Pontes 
Gênero: Drama / LGBT
Publicação Independente  Formato Digital 
Ano: 2017 
Páginas: 22

20 de abr de 2017

↓ 10 dicas para ter um excelente blog ↓

Olá, pessoal!
Já faz um tempo que tenho vontade de falar sobre isso, pois vejo uma galera da blogosfera reclamando e não se dando conta de que uma bonita roupagem, objetividade e coerência são ingredientes fundamentais para se ter um excelente blog, mesmo que ele tenha poucos seguidores e comentários. Em verdade, o que realmente importa é o alcance de suas ideias para o público almejado. A propósito, estou na blogosfera desde 2010, sendo que o primeiro blog que tive, usei um dos modelos que a plataforma oferecia gratuitamente. Contudo, quando me tornei autora, resolvi investir em um layout mais clean, o que me deixou muito satisfeita, tornando o blog um dos meus cantinhos prediletos! S2 Portanto, segue 10 dicas importantes para você ter um blog legal e, claro, com conteúdo. Vem junto conferir. o/ Bem-vindos!


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1. Deixe claro sobre o conteúdo que pretende apresentar 
Se você pretende falar sobre literatura, fale sobre literatura; se você pretende falar sobre política, fale sobre política; se você pretende falar de tudo um pouco, faça como eu, deixando claro qual o propósito do blog. No meu caso, sempre enfatizei que o "BLOG SIMONE PESCI" é uma página virtual de conteúdo diversificado, onde posto de tudo um pouco, além dos meus trabalhos como autora. 

2. Invista num layout atrativo
Afinal, a primeira impressão é a que fica. E mesmo que você não tenha dinheiro para isso, a própria plataforma tem opções de layouts bem legais. Basta ter bom gosto e montar o seu. Lembrando que layouts cleans são mais atrativos e não cansam as vistas. 

3. Mantenha o blog sempre atualizado
Essa é uma dica muito importante, pois se não houver atualização, o leitor deixará de lado. E, claro, você não quer isso. Caso tenho que se ausentar (como já aconteceu comigo), faça uma postagem breve informando, assim não deixará os leitores perdidos. 

4. Atenção na gramática
Ninguém é um dicionário, mas há de se ter coerência. Portanto, antes de apertar o botãozinho "Publicar", revise com atenção o que foi escrito. Eu, particularmente, fico incomodada quando leio artigos e resenhas com muitos erros. Uma dica: use o programa LIBRE, ele pode não ser 100%, mas aponta muitos erros que passam despercebidos.  

5. Divulgue o blog nas redes sociais
Crie uma página do seu blog no facebook, sempre atualizando as postagens, e divulgue-o sutilmente em grupos que fora incluído. Não seja um "mala sem alça", marcando várias pessoas em postagens, pois isso é deselegante, além de irritante. Quem realmente quiser, vai compartilhar a postagem. Em suas plataformas virtuais, divulgue-o quantas vezes achar necessário (sempre em "modo público"), para que tenha mais visibilidade.  

6. Dê os devidos créditos
Não há problema algum querer postar um poema, ou artigo, ou qualquer outra coisa que tenha visto, desde que você dê o devido crédito. A coerência, novamente, pede passagem.

7.  Responda seus leitores
Não deixe de responder os comentários, mesmo que seja com um "Obrigado(a)!" ou um "Volte Sempre!". Desta forma o seguidor saberá que você tem educação e que se importa com quem visitou a página.

8. Padronize suas postagens
Assim o seu blog fica muito mais atrativo. Lembrando que a padronização tem de ser desde as fontes, até as imagens e vídeos. É claro que mudar não tem problema, mas, cá pra nós, um blog padronizado é tudo de bom. 

9. Apresente um conteúdo com conteúdo
E isso vale para qualquer conteúdo. Se fizer uma resenha  não dê spoilers , mostre apenas o propósito da trama e o que você sentiu com ela. CUIDADO ao se expressar, o mundo virtual está uma faca de dois gumes, e a interpretação de texto pode trazer sérios danos, principalmente judiciais. 

10. Por último, porém não menos importante
Dedique-se de coração ao que se propôs fazer. Em vez de angariar status e likes, faça por diversão, assim você terá prazer no que está fazendo.


É isso!!!
Espero, de alguma forma, ter ajudado.

Abraços literários,
Simone Pesci

18 de abr de 2017

[Quotes]: Livros adaptados

Olá, lovers!


Já faz um tempinho que eu não trago quotes aqui, né? Exceto "A Cabana", todos as outras adaptações eu já conferi, e posso dizer... AMEI MUITÃO!!! S2 Deixarei abaixo os quotes, além dos links com as resenhas aqui do blog. Bem-vindos!


(clique em cima da imagem para maior resolução)
 

 

 


**Para conferir as resenhas, clique no título abaixo: 

16 de abr de 2017

Os inevitáveis (e abençoados) pontos finais

Passageiros, é isso o que melhor nos define. Nenhum de nós, vivo ou morto, nasceu nesse planeta de agressivas contradições, para ser resumido a uma definição. Mesmo que à primeira vista isso pareça beirar o exagero, o fato é que a cada dia somos apresentados a uma nova versão de nós mesmos. 

Até mesmo os dias mais vazios e entediantes exercem sobre a nossa maneira de ser algum tipo de força ou sugestão. Em verdade, talvez seja exatamente a falta de assunto, atividade ou alegria que faça brotar dentro da gente um “não sei quê” de rebeldia. 

E, sem rebeldia, não haverá jamais nenhuma revolução. É o desgostar de algo que nos faz ir atrás de outros sabores, texturas e cheiros. E, ainda que a próxima degustação nos traga paladares mais ácidos ou amargos, que venham as experiências desconhecidas; que venham os tombos para nos sangrar os joelhos; que venha a luz forte para nos ofuscar a visão; ou a escuridão para nos fazer o peito palpitar de medo, susto ou prazer. 

Ninguém pode sentir prazer em histórias terminadas por reticências, toda vez. Que haja algumas reticências, tudo bem. Elas são uma pausa, ou licença necessária para o que ainda não foi revelado, ou para aquilo que ainda não está pronto para o fim. 

No entanto, reticências excessivas têm o perigoso efeito colateral de nos fazer acreditar que pode haver algo de romântico ou suave na indecisão. Viver na indecisão dos dias torna-nos seres acostumados com uma vida em suspenso. O ar fica parado; ninguém respira; ninguém pisca; ninguém vive. 

Viver, pressupõe acolher corajosamente algumas pequenas mortes. Morremos um pouco cada vez que fazemos tornar possível algo que parecia ser inatingível. Morremos um pouco a cada orgasmo. Morremos um pouco a cada sonho desfeito. Morremos um pouco a cada partida, nossa ou do outro. Morremos um pouco todas as vezes que desistimos de algo sem ter tentado. 

Tentar; arriscar; desafiar são coisas muito mais fortes e importantes do que acertar ou errar. Erros e acertos podem estar vinculados a árduos processos de emponderamento e luta. Mas, também podem ser presentes do acaso. Há sucessos e fracassos que vêm espontaneamente ao nosso encontro. 

Entretanto não há tentativa, risco ou desafio que possa nos transpassar com sua força transformadora, se não estivermos dispostos e disponíveis a deixá-los nos arrebatar. 

E, uma vez arrebatados pela avassaladora inquietação do desconhecido, da página em branco, do próximo capítulo, aprenderemos a forjar no traço empunhado por nossas mãos (tão provisórias), os definitivos e necessários pontos finais. 

É bem verdade que vivemos assustados pelos términos de tudo. O fim nos deixa sobressaltados e, ao mesmo tempo, nos mantém cativos numa espécie de visgo em nome de uma segurança qualquer que nos proteja e nos salve de enfrentar a perda. 

Porém. Ahhhh sempre haverá, mesmo na mais inofensiva de nossas escolhas, um “porém”. Porque ao escolhermos seguir em frente, em busca do que ainda não compreendemos, deixamos para trás o que nos é familiarmente acomodado ao colo. E porque, ao escolhermos a permanência morna daquilo que já nos é tão íntimo, abrimos mão do salto, do frio na barriga e do que não temos como prever. Então, para que sejamos dignos de uma vida menos medíocre, apertemos a ponta da pena mergulhada em tinta e calquemos, de peito aberto, os inevitáveis e abençoados pontos finais. Afinal, sem eles não haverá próximas histórias para nenhum de nós, porque elas ficarão invisíveis entre os espaços em branco, deixados pelos pontos finais que não fomos capazes de determinar.

Texto de: Ana Macarini

[Lidos]: Março/ Primeira quinzena de Abril — 2017

Olá, amores!

Estive ausente por um mês, e neste tempo li sete livros e um conto, todos já resenhados aqui no blog. o/ E para facilitar, deixarei os links abaixo. Bem-vindos! S2

[Falando em]: Contos tradicionais, fábulas, lendas e mitos — Volume 2

Eu baixei esse livro gratuitamente em formato digital, e me deparei com uma belíssima surpresa. Afinal, conheço alguns dos textos, porém descritos de outra forma. Confira a sinopse e o meu parecer sobre “Contos tradicionais, fábulas, lendas e mitos (Volume 2)", um livro de Domínio Público, cedido pelo Ministério da Educação




Sinopse: Neste segundo volume de textos da Língua Portuguesa você vai encontrar Contos Tradicionais, Fábulas, Lendas e Mitos. Os contos tradicionais são histórias que foram transmitidas oralmente ao longo das gerações, sem que se saiba ao certo quem os criou. As fábulas são pequenas histórias escritas com a intenção de transmitir alguns ensinamentos sobre a vida, ou o que se chama “lição de moral”. As lendas e os mitos também são histórias sem autoria conhecida. Foram criadas por povos de diferentes lugares e épocas para explicar fatos como o surgimento da Terra e dos seres humanos, do dia e da noite e de outros fenômenos da natureza. Leia, releia, assuste-se, emocione-se, ria, chore e divirta-se com as histórias deste livro. Conte também para seus familiares e amigos e procure saber as histórias que eles conhecem. Boa leitura! 


“Porque até mesmo os contos têm um pouco de vida real” 







Uma bela distração! 

Trata-se de um livro com contos tradicionais, muitos destes não tão pueris, além de fábulas permeadas em ensinamentos e lendas/mitos criados para explicar fatos. E, por este motivo, a resenha será diferente, apresentando um quote de cada item e o meu breve parecer. 
A madrasta e as filhas levaram um susto e ficaram brancas de raiva. O príncipe ergueu Cinderela, colocou-a na garupa do seu cavalo e partiram. Quando passaram pela aveleira, as duas pombinhas brancas cantaram: Olhe para trás! Olhe para trás! Não há sangue no sapato, que serviu bem demais! Essa é a noiva certa. Pode ir em paz! (Conto: Cinderela  por Irmãos Grimm) 
 Como te enganas, meu filho! O bicho de pêlo macio e ar bondoso é que é o terrível gato. O outro, barulhento e espaventado, de olhar feroz e crista rubra, filhinho, é o galo, uma ave que nunca nos fez mal. As aparências enganam. Aproveita, pois, a lição e fica sabendo que: Quem vê cara não vê coração. (Fábula: O ratinho, o gato e o galo  por Monteiro Lobato) 
 Transforme-nos em pedra. Assim, nada nem ninguém poderá nos separar. 
O bastão, cuja única missão era unir o que se amam, realizou o último desejo do casal. E ainda hoje, perto do povoado de Calca, existem duas estátuas de pedra, que os habitantes da região chamam Pitu Sirai. São Chuquilhanto e Acoitrapa, amando-se para sempre. (Lenda: Acoitrapa e Chuquilhanto  Lenda latino-americana) 

Esse livro foi uma grata surpresa, principalmente ao ficar de frente com contos tradicionais, aqueles que eu conheci através das adaptações pueris da Disney, e que aqui são mais assustadores. Confesso que agora (na vida adulta), prefiro os contos com essa pitada de suspense e terror  rs. Contudo, foram as fábulas que me enterneceram, todas carregando uma sábia mensagem. E, por último, algumas lendas e mitos eu não curti tanto. Trata-se de um conteúdo rápido, onde alguns textos me envolveram mais; outros nem tanto. Por fim, para quem curte uma bela distração, eis essa boa pedida. 

Todo contexto é narrado em terceira pessoa, alguns com narrativa e diálogos rebuscados, porém de fácil compreensão; a diagramação (em formato digital), está boa, com excelente tamanho de fontes e espaçamentos; e a capa é simples, apenas apresentando o título da obra. 



**Segue abaixo a lista com os contos tradicionais, fábulas, lendas e mitos: 


“Contos tradicionais” 
✔ Irmãos Grimm: O príncipe rã ou Henrique de ferro; A Bela Adormecida; João e Maria; Branca de Neve; Rumpelstichen; Chapeuzinho Vermelho; O gato de botas; Rapunzel; Cinderela; Os Sete Corvos. 
✔ Ítalo Calvino: O príncipe canário, Joãozinho-sem-medo. 
✔ Charles Perrault: Chapeuzinho Vermelho; o Pequeno Polegar. 
✔ Hans Christian Andersen: O soldadinho de chumbo; O patinho feio; O rouxinol do imperador; As roupas novas do imperador. 
✔ As mil e uma noites: Ali Babá e os quarenta ladrões. 
✔ Contos brasileiros: O bicho Manjaléu 

“Fábulas” 
✔ O ratinho, o gato e o galo; Os viajantes e o urso; O lobo e o burro; O corvo e o jarro; A cigarra e as formigas; O leão e o mosquito; A gansa dos ovos de ouro; O vento e o sol; O cão e o osso; O leão e o ratinho; A rã e o touro; O rato do mato e o rato da cidade; O burro e o leão; A raposa e as uvas; O lobo e o cordeiro; O galo e a raposa; O leão e o javali; A formiga e a pomba; A raposa e o corvo; As árvores e o machado; O galo e a pérola; O leão, a vaca, a cabra e a ovelha; A cegonha e a raposa; O carvalho e o caniço; O lobo e o cão. 

“Lendas e mitos” 
✔ Oxóssi; Acoitrapa e Chuquilhanto; Maria Pamonha; Como nasceu a primeira mandioca; As lágrimas de Potira; Como a noite apareceu; História do céu; O uapé; Pandora; Narciso.



Livro: Contos tradicionais, fábulas, lendas e mitos (Volume 2)
Edição Kindle  Ministério da Educação
Editora: Elzira Arantes
Ano: 2000
Páginas: 125

15 de abr de 2017

↓↓↓ AMORES (IM) PROVÁVEIS ↓↓↓

Olá, amores! 
Sabe quando vem aquela vontade de mudar o final de um conto que terminou de forma bonita, porém triste? Pois bem, eis que surge...


AMORES (IM) PROVÁVEIS 


✔ Trata-se de uma série com três contos... 
✔ O primeiro conto já havia sido publicado em uma antologia de romance (em 2014), por uma extinta casa editorial. Eu o reescrevi, deletando e inserindo narrativa/diálogos. 
✔ O segundo e terceiro são contos novos. 
✔ Todos são protagonizados pela mesma garota, cada qual em época (idade) diferente. 
✔ E, por fim, é o leitor que decidirá se continua ou não lendo-o.

Inicialmente vou disponibilizá-los para blogs parceiros, mas futuramente pretendo lançá-lo em formato digital. Confira abaixo um quote de cada conto. Bem-vindos! S2


(clique em cima da imagem para maior resolução)



14 de abr de 2017

Carta aos apoéticos — por Marcio Leite

Sinto muito por ti, amigo, se não entendes poesia. Sinto por não saberes que ninguém entende poesia. Poesia não se entende, sente-se. Poesia não se decifra, declama-se. Poesia, amigo, é semente que apenas brota na face interna da pele, é linguagem do coração, nenhuma razão lhe alcança. Ela não precisa, é completa em si mesma. Pena, amigo, que não reconheças a força concreta da abstração, que não percebas seus eflúvios mágicos, suas dores secretas, suas lágrimas e sorrisos (seriam diferentes?). Que tristeza, irmão, que tua inteligência não reverencie aquilo que não chegas a tocar. Que seja tão perversa a ponto de negar-te a beleza. Tu estás surdo diante da sinfonia do Universo. O Big Bang ainda te chamusca a alma e tu não vês. Pena mesmo, companheiro de jornada, que não notes que tua própria alma está manchada de poesia. Que o maior de todos os poetas tenha te trazido aqui, e não saibas agradecer. Mas não te preocupes, a poesia, por ti, há de esperar. 

[Divulgando/Lançamento]: Janelas Abertas — de Ademilson Chaves

Hoje trago uma MARAVILHOSA notícia: já está a venda o novo livro do amigo e autor Ademilson Chaves. Para quem não sabe, o Ad é parceiro do blog e já tem três resenhas de suas obras aqui (para conferir clique AQUI, AQUI e AQUI). No entanto, esse post é para falar sobre o seu novo lançamento  Janelas Abertas  publicado pela editora Selo Jovem. Estou louca para conferir a obra, pois sou fã de carteirinha do autor. o/ Além do mais, dá uma espiada nessa capa divina e na sinopse instigante. Deixarei abaixo a sinopse e link para adquirir o livro.




Sinopse: Martha é uma estudante de Medicina que se apaixona por Lucas, um colega da faculdade. Quando decide contar a ele que está grávida, Lucas a surpreende dizendo que está indo terminar seus estudos em outro país. Ela esconde a gravidez e vê o amado partir. Anos depois, Lucas está de volta, porém, Martha está casada e parece ter uma família feliz. Uma onda de acontecimentos invade a vida de Martha quando sua filha desaparece misteriosamente. Em meio a mistérios e caos, uma história de amor se desvela sob o olhar de um primo apaixonado, fazendo o leitor mergulhar num abismo de dores e amores, em busca do que é farsa ou realidade. Um marido infiel, uma babá misteriosa, um garoto de favela e uma violinista são peças fundamentais para desvendar o terrível crime cometido. “SERES HUMANOS PODEM NOS CONDUZIR AO PARAÍSO OU AO INFERNO. É DIFÍCIL SABER EM QUEM CONFIAR. Do mesmo autor do livro: A Escolha de Eron. 


Para adquirir a obra, clique AQUI.

13 de abr de 2017

[Falando em]: Os 13 Porquês — Série

Tempos atrás eu avistei a capa e o título de um livro que me deixou instigada, sendo este "Os 13 Porquês" (13 Reasons Why), do autor Jay Asher, publicado no Brasil pela editora Ática. Mas como não pude adquiri-lo, deixei de lado a minha curiosidade. Eis que me deparo com uma febre virtual, uma nova série da Netflix, produção assinada pela cantora e atriz Selena Gomes, que teve estreia mundial no dia 31/03/2017. Trata-se da adaptação do livro que despertou meu total interesse. Confira a sinopse, trailer, quote e a minha opinião (SEM SPOILERS).



Sinopse: "Por que uma garota morta mentiria?". Baseada no best-seller de Jay Asher, a série original Netflix, 13 Reasons Why, acompanha Clay Jensen que, ao voltar da escola, encontra uma caixa misteriosa com seu nome na porta de casa. Dentro dela, ele encontra fitas cassetes gravadas por Hanna Baker  sua colega de classe e paixão secreta  que cometera suicídio duas semanas antes. Nas fitas, Hanna explica as treze razões que a levaram à decisão de acabar com a própria vida. Será que Clay foi uma delas? 





Um enredo para corações fortes!

Os 13 Porquês conta a história de Clay (Dylan Minnette), um rapaz que sofre pela morte de Hanna Baker (Katherine Langford), colega de escola por quem nutria uma paixão secreta. Hanna, depois de sofrer bullying por diversas vezes, acaba deprimindo-se e cometendo suicídio. E logo depois da tragédia, deixa 13 fitas cassetes gravadas, enfatizando o porquê de tal desatino. E para cada fita, há uma pessoa que, de alguma forma, contribuiu para que ela cometesse tal ato.  


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Quem me conhece sabe que drama é o gênero que mais gosto, e isso foi o pontapé inicial para que eu assistisse a série. E mesmo não lendo o livro (algo que quero muito fazer), eu já sabia do que se tratava, devido a enxurrada de postagens e comentários nas plataformas virtuais. A propósito, estou em tratamento médico desde Dezembro de 2016, com diagnóstico pela CID-10: F41.2 + F41.1 + F.40.1 + F40.8, além de já ter sido vítima e também de ter cometido bullying, o que me fez compreender os dilemas e angustias dos personagens  e depois de assistir a série, lembrei da minha infância e adolescência, onde levávamos as provocações e os problemas cotidianos de outra forma: fugindo ou enfrentando... NUNCA SE MATANDO!!! 

O que a série retrata é algo que sempre existiu: ofensas e humilhações sempre ocorrerão, seja em qualquer ambiente. E, claro, o que para alguns pode parecer pouco, para a vítima pode ser muito. Deixe a hipocrisia de lado e questione-se se alguma vez você não só sofreu como também cometeu bullying? Lembrando que só o fato de você compartilhar um meme, ou qualquer outra coisa ofensiva que pareça insignificante, já faz parte da classe de humilhações e agressões. E não precisa de um livro ou uma série para constatar isso... Ficar atento aos pequenos sinais é o que realmente importa. 

A série é um conteúdo de reflexão, onde fiquei perdida num emaranhado de sentimentos: muitas vezes achei Hannah egoísta e maquiavélica, outras tantas me compadeci de suas dores, pois cada qual sente a dor de uma forma, sendo ela intensa ou não. Se eu dissesse que ela fez errado, estaria sendo hipócrita, mesmo porque já pensei diversas vezes em fazer o mesmo. Mas venhamos e convenhamos, SUICÍDIO NUNCA SERÁ A MELHOR SAÍDA (...) E NEM MESMO CESSARÁ A DOR! Quem fica é que sofre às consequências, muitas vezes culpando-se pelo acontecido. 

No caso da série, a meu ver, o suicídio foi abordado com certo glamour, como se fosse uma única e linda saída, tornando o suicida herói... Algo preocupante, pois a molecada de hoje tem tudo nas mãos e nem sempre sabe lidar com os contratempos da vida. Aliás, para quem estiver passando pelo mesmo problema e não ter um acompanhamento médico ou até uma estrutura familiar, ao assistir a série, pode não saber interpretar a importantíssima mensagem que a mesma carrega, e fazer de si o protagonista, algo que infelizmente já aconteceu por aqui (para conferir, clique AQUI). 

EU AMEI A SÉRIE...
Apesar de achar o ritmo bem lento, algo que me incomodou bastante. A propósito, fiquei sabendo que no livro tudo acontece em uma noite, ou seja, o Clay não é tão lerdo para ouvir as fitas  rs. E digo mais... em seu contexto não há só bullying e suicídio, há também amizade, amor, paixão retida, omissões de fatos, entre tantas outras coisas. O três últimos episódios me deixaram com o coração despedaçado e me fez querer mais (espero que tenha uma segunda temporada). o/ A playlist da série é SENSACIONAL, já no primeiro episódio pulei da cadeira ao ouvir Joy Division. O roteiro e atuações são impecáveis. S2 É uma pena que nem todos consigam enxergar o real propósito do seriado, para compreendê-lo há de se ter EMPATIA e ser um CATALISADOR DE SENTIMENTOS E EMOÇÕES. Fora isso, quero parabenizar a todos os envolvidos neste projeto, apresentando de forma verossímil o que sempre existiu. Por fim:



"Não seja um porquê"