28 de fev de 2017

[Lidos]: Janeiro/Fevereiro de 2017

Olá, pessoal!
Como vão as leituras?
Pois bem, trago para vocês as minhas leituras de Janeiro e Fevereiro, ao total foram treze livros e têm de tudo um pouco. Bem-vindos!


(clique em cima da imagem para maior resolução)


↓↓↓  Clique no título abaixo para conferir a resenha  ↓↓↓

27 de fev de 2017

[Texto]: Amar é um exercício diário

Houve uma época que eu acreditava que o amor superava todas as adversidades, rompia todas as barreiras e enfrentava todos os obstáculos. Enfim, acreditava que o amor deveria suportar a tudo e vencer a todos. Só que hoje eu posso ver que isso não é amor. É ilusão. É acreditar que o outro deve lhe dar a vida em troca de um sentimento que afirma ter. Amor é outra coisa e é algo que nós aprendemos todos os dias. Amar é o dia a dia. É o relógio no pulso contando os segundos para se encontrar com quem você quer estar. Mas é muito maior que isso. 

Não é errado o clichê de dizer que o amor é como um jardim. Ele realmente precisa ser cuidado para prosperar, florescer e viver em toda a sua plenitude. E para cuidar do nosso jardim precisamos tirar as ervas daninhas, cultivar e regar o seu amor, para que ele possa crescer e prevalecer. O amor não irá superar a tudo e a todos se ele não teve tempo para descobrir o que é. O amor irá correr. O seu amor irá embora, escorrer pelos dedos e dizer adeus. 

É preciso preservar. Todos os dias, com cuidado, com atenção. A impulsividade é um dos fatores que nos prende aos mínimos detalhes ao invés de vivermos a relação como um todo. Nos atemos a tudo que é pequeno para tentar respirar tranquilamente, como se o amor tivesse que constantemente passar por provações. 

A maior prova de amor é estar ali, lado a lado, todos os dias, enfrentando as alegrias e as tristezas, e reconhecer o erro e o acerto, ter humildade no coração para poder enxergar a si e ao outro. Tudo o que se fala sobre amor parece repetitivo, mas a verdade é que não há receita para deixar o sentimento fluir. É claro que há um constante crescimento e troca, essencial para que o relacionamento possa se desenvolver. 

Mas, voltemos ao amor que acredita que pode vencer tudo. Quando acreditamos piamente que o nosso amor é mais forte que todas as adversidades, estamos sujeitos a incorrer nos mesmos erros, e fazer com que haja o sofrimento desnecessário para se provar que este amor supere até as palavras mais ferinas. 

Amar não é ter que dar satisfações 24 horas via SMS, redes sociais, ligações ou whatsapp. Amar não é controlar cada passo, ter a senha de todos os emails, contas bancárias, facebook, celular, notebook. Amar não é controle. Amar é descontrole. Amar é se livrar de todas as amarras que existem e embarcar em uma viagem rumo ao desconhecido. 

Acreditar que preocupação é amor é mais um indício da obsessão. O amor é tão pleno e tão certo, que seu coração se acalenta ao saber, que no fim do dia, mesmo que você não se mova, o seu amor irá lhe dizer o quanto ama e estará lá para segurar a sua mão. E quando não estiver, está tudo bem também, porque a única coisa que importa é a certeza que carregamos no peito, e isso, ninguém pode tirar. A não ser você mesmo. 

Existem muitos motivos para um relacionamento se desencaminhar. Mas o motivo não pode ser você. Não pode ser as suas atitudes impensadas e egoístas. Amar é troca constante, evolução, reconhecimento de si e do outro. É profundo, é complexo, é um oceano de sentimentos e profusões. E por mais complicado que seja, vale a pena. Vale a pena ter um pé ao lado do seu, um abraço para esquentar e uma mão para segurar. O amor em todas as suas formas, vale a pena. Cabe a nós aceitar e viver, em paz, porque todos os dias, o sol volta a se levantar e nunca é tarde para recomeçar. 


[Falando em]: O Pequeno Príncipe — de Antoine De Saint-Exupéry

Eu baixei esse PDF tempos atrás, através do "Projeto Democratização da Leitura", que faz parte da ABDR, ou seja, a "Associação Brasileira de Direitos Reprográficos" (para conferir o site da associação, clique AQUI). Por incrível que pareça, eu ainda não havia desfrutado dessa leituraConfira agora a sinopse, trailer da animação adaptada/adquirida pela Paris Filmes (em 2015), e o meu parecer de "O Pequeno Príncipe", clássico de 1940, escrito pelo francês Antoine De Saint-Exupéry, nessa edição pela editora Agir.


Sinopse: Livro de criança? Com certeza. Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi. Como explicar a adoção deste livro por povos tão variados, em tantos países de todos os continentes? Como explicar que ele seja lido sempre por tanto milhões e milhões de pessoas? Como explicar a atualidade deste livro traduzido em oitenta línguas diferentes? Como compreender que uma história aparentemente tão ingênua seja comovente para tantas pessoas? O Pequeno Príncipe devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia a dia. Voltam ao coração escondidas recordações. O reencontro, o homem-menino.





"Porque o essencial é invisível aos olhos" 





Uma fábula transformada em parábola! 

A história é narrada por um piloto de avião que acabara de sofrer uma pane, pousando no deserto e empenhado em consertar a aeronave. O que ele não contava é que ficaria de cara com um principezinho com cabelos cor de trigo, que lhe pediu para que desenhasse um carneiro, o que ele atendeu de prontidão, dando início a uma verdadeira amizade.
Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada. Teria gostado de dizer: “Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo...” Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro. (Livro: O Pequeno Príncipe, Pág.9)
O piloto descobrira que o pequeno príncipe veio de um planeta pequeno e distante, com dois vulcões que lhe serviam como fogão, além de uma linda rosa, a qual o principezinho muito gostava e que, por alguns questionamentos entre eles, o fez seguir viagem para outros planetas. 
— É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! (Livro: O Pequeno Príncipe, Pág. 18)
O principezinho acaba por viajar por muitos planetas e asteroides, visitando, por fim, o planeta Terra, refletindo sobre tudo que conhecera e levando consigo muitos aprendizados.
 Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. (Livro: O Pequeno Príncipe, Pág. 38)
Vamos lá... 
Eu não sei ao certo como me expressar nessa resenha, sempre tive curiosidade em ler este livro, e, de certa forma, foi uma boa surpresa. Porém, não foi impactante como eu imaginava que seria. Eu sabia que era um texto de reflexão e ensinamentos, o que até me agrada, mas não esperava que fosse tão refletivo. Eu achei a proposta sensacional e gostei muito do que o enredo passa para o leitor, mesmo com suas frases de efeito em excesso, algo que não curto muito. E aviso... A pessoa que se enveredar nessa leitura, tem que ser provida de coração e entendimento, pois não é uma leitura como qualquer outra. 

Trata-se de uma fábula transformada em parábola, onde seu contexto se reflete em ensinamentos. Fiquei feliz por meus professores não terem dado essa obra como lição de casa, pois creio que para uma criança seja mais difícil compreendê-la, ainda mais nos dias atuais, onde a interpretação de texto é uma faca de dois gumes e o mágico pode tornar-se um pesadelo. E confesso... Eu gostei muito mais do trailer com a animação do que a obra em si. Isso não quer dizer que eu não tenha gostado do livro, mas sim que ele não me tocou com tanto fervor. Eu li a obra em poucos minutos, pois ela é bem curtinha. Por fim, é um belo texto de reflexão. E para quem curte o estilo, vale a pena conferir. 

O enredo é intercalado em primeira e terceira pessoa, com narrativa e diálogos simples, porém que precisa de um pouco mais de atenção (e coração) para compreendê-lo; a diagramação está com fontes grandes e espaçamentos bons, além de ilustrações em aquarelas e coloridas, feitas pelo pelo próprio autor; e a capa estampa o tão irreal principezinho.


Livro: O Pequeno Príncipe
Autor: Antoine De Saint-Exupéry
Gênero: Juvenil
Editora: Agir
Ano: 2015
Páginas: 48

[Do quadro]: Quotes Inesquecíveis

Dias atrás eu postei alguns quotes inesquecíveis (para conferir, clique AQUI). Pois bem, agora trago mais seis lindos quotes. Lembrando que você pode conferir as resenhas dos livros aqui no blog. Bem-vindo! 

(clique em cima da imagem para maior resolução)
 

 

 


✔ Confira as resenhas destes e de tantos outros
livros (de diversos gêneros), clicando AQUI.

26 de fev de 2017

[Falando em]: A Última Nota — de Felipe Colbert & Lu Piras

Hoje apresento-lhes a resenha de um livro que li anos atrás e que AMO MUITO. Trata-se de um enredo lindo, escrito por dois autores que admiro pacas, ou seja, a minha amiga-anja Lu Piras e o autor Felipe Colbert. Confira agora a sinopse, book trailer e o meu parecer de "A Última Nota", uma publicação da editora Novo Século.


Sinopse: Quando Alícia Mastropoulos se apresenta pela primeira vez como a principal violinista na Orquestra de sua Universidade, ela não tem ideia dos acontecimentos que este fato desencadeará. Decidida a tocar uma composição inédita deixada por seu falecido avô em vez da música programada, ela se emociona e erra a última nota, mas ninguém parece perceber. No dia seguinte, recebe a notícia que um jovem desconhecido é encontrado no coreto próximo ao local da apresentação e levado para um hospital. Quando acorda, ele não se lembra de nada, apenas chama pelo nome dela. Ele, o belo e misterioso rapaz de olhos azuis, é exatamente o que Alícia precisa evitar. Porém, a aproximação entre os dois se torna inevitável quando ela descobre que sua avó, Cecília, tomando conhecimento do caso, hospedou-o e ainda lhe deu o nome de Sebastian. Preocupada, Alícia pede que sua avó o afaste de casa, antes que a situação traga problemas para sua família e para o seu namoro com Theo. Percebendo a relutância da avó e incomodada com a proximidade cada vez maior de Sebastian, Alícia decide apressar o noivado com Theo, para a satisfação de seus pais, que veem com bons olhos um casamento entre duas famílias tradicionais gregas. Só que, aos poucos, ela começa a descobrir uma intensa atração pelo rapaz desconhecido, que a levará a entender, enfim, o mistério que o envolve, a resgatar histórias do passado e a tomar importantes decisões para o futuro. 




"Porque onde há amor, há melodia" 

Um enredo inspirador!

Alícia Mastropoulos tem vinte e um anos, mora com os pais no Rio de Janeiro, além de ser filha única de uma tradicional família Grega. Seus pais têm um restaurante Grego, o qual ela passa parte do tempo ajudando-os. Ela namora com Theodoro Papadakis, mais conhecido por Theo, também de família Grega, o que faz com que tenha aprovação de todos. Ainda assim, os pais  Egídio e Artêmia , são contra o que ela decidiu se dedicar, ou seja, a Faculdade de Música. No entanto, eles não a impedem de prosseguir com o seu sonho, e Alícia acaba tornando-se a primeira violinista da orquestra da Universidade, algo que também não agrada muito o seu futuro noivo, Theo. 
Não me atrevi a limpar o pó, embora tivesse tido esse impulso. O título  no centro da capa dura do livro, em uma tipografia serifada medieval, gravada em baixo relevo e em tinta dourada metalizada  trazia a palavra "Gratia". Eu sabia que gratia em latim significava "graça", por isso fiquei intrigada com aquele nome. Abri o livro com cuidado e vi que, na verdade, era um caderno de partituras. Na primeira folha amarelecida pelo tempo, a letra do meu avô desenhou a palavra "composições", com sua assinatura logo abaixo. (Livro: A Última Nota, Pág.17)
O avô, Amadeus, que falecera há pouco tempo, fora uma famoso violinista. A propósito, foi ele quem apresentara essa paixão para Alícia. E numa das visitas que ela faz para a sua avó, Cecília, a qual não tem mais contato com o filho e nora, por não ser tradicionalmente Grega, ela encontra um livro de partituras, onde se atreve a levar uma das composições do avô que não fora concluída. Alícia resolve fazer a lição de casa, com a composição não concluída, ordenada por seu professor rígido, chamado Oscar, porém apelidado por sua melhor amiga, Carol, como Ogroscar. 
 Estou ligando do Hospital da lagoa. Acabamos de receber a internação de um rapaz que não se recorda de nada. A única coisa que ele repete, é o seu nome. Você poderia vir até aqui? (Livro: A Última Nota, Pág.29)
Alícia se vê apavorada ao receber uma ligação pedindo para que ela vá a um hospital. Imaginando ser Theo, não pensa duas vezes e parte para o hospital. Chegando lá tem uma estranha surpresa, pois dá de cara com um belo rapaz de olhos azuis como o oceano, que não se lembra de suas origens, nem mesmo o seu nome. Ela se impressiona com a beleza do rapaz, além de se entristecer pela condição que ele se encontra. Dias depois ela retorna ao hospital, junto de sua amiga Carol, para ter notícias do desconhecido. Porém não o encontra. Tal qual surpresa maior quando, em uma das visitas na casa da avó, ela se depara com o mesmo rapaz, o qual ela acolhera e deu o nome de Sebastian.
 Eu chorarei todas as suas lágrimas. E quero sorrir todos os seus sorrisos.  Ele fez uma breve pausa, e sua voz se encorporou mais:  Eu não sei quem sou, quem eu fui ou o que farei... Eu não consigo responder a sua pergunta anterior, nem mesmo posso lhe dizer o meu verdadeiro nome. Eu só sei que nada sou sem você. Nada. (Livro: A Última Nota, Pág. 168)
Inicialmente ela não aceita essa condição, com um estranho sendo acolhido por sua avó. Mas, com o tempo, a aproximação entre os dois é inevitável, transformando-se em um sentimento vigente, o que faz com que Alícia bata de frente com os pais e desmanche o noivado com Theo, pois SIM, ela acabara por ficar noiva com ele. Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

O que esperar de um enredo escrito por dois excelentes escritores? Nada mais do que uma belíssima história, adornada de coração e com alguns mistérios. Afinal de contas, eu conheço o trabalho do Felipe no gênero suspense/investigativo; já a Lu  digamos assim  , angelicalmente... O que tornou a dosagem de delicadeza, poesia e pontas a serem preenchidas mais do que instigantes, com personagens apaixonantes, principalmente Sebastian, o qual sou perdidamente apaixonada e que leva consigo muitas interrogações. Desta forma, eis uma trama envolta em anseios e paixão, além de uma pitada mágica. 

Este é um enredo leve e maravilhoso de se ler. Eu torci muito por Alícia e Sebastian, e por muitas vezes tive vontade de dar uns tabefes no Theo. A família Mastropoulos, algumas vezes, me dava nos nervos. Mas era compreensível, pois tudo fazia parte de suas origens/tradições. E a Dona Cecília... Ahhh, que avó mais fofa!!! O final foi lindo, com algumas reviravoltas, deixando-me com o coração palpitando de forma descompassada. E a última frase do livro, a última mesmo, deixou-me ainda mais ansiosa pela continuação, algo que aguardo desde 2012 e que fiquei sabendo que talvez teremos.

O livro é narrado em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está boa, com fontes e espaçamentos em excelente tamanho, adornada em papel off-white (o amarelinho mais claro); e a capa é linda, estampando Alícia e o seu tão querido violino. Se eu gostei? NÃO, EU NÃO GOSTEI! EU AMEI!!! E leria até mesmo a lista de compra dos autores. \o Por fim, pra você que curte um romance doce e com uma pitada de mistério, eis essa fantástica pedida. 


Livro: A Última Nota
Autores: Felipe Colbert & Lu Piras
Gênero: Romance
Editora: Novo Século
Ano: 2012
Páginas: 260

24 de fev de 2017

[CONTO JUDAICO]: A VERDADE E A PARÁBOLA

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome. 

E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas. 

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada. 

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante. 

 Verdade, por que você está tão abatida?  perguntou a Parábola. 

 Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto!  respondeu a amargurada Verdade. 

 Que disparate!  sorriu a Parábola.  Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece. 

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada. 

Os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.

Via: Parábolas, Contos e Fábulas

[Falando em]: Crazy Mary — de Thiago Assoni

Continuando a saga das leituras que estou relendo, apresento-lhes esse thriller de terror psicológico excelente. A propósito, eu li essa obra em 2013 e já havia resenhado no meu antigo blog (hoje não mais existente). Confira agora a sinopse, book trailer e resenha de "Crazy Mary", obra  do autor Thiago Assoni, uma publicação da editora Aped


Sinopse: Descaradamente inspirados em obras de Joe Hill e Stephen King (filho e pai) e livremente inspirado na música que dá nome ao livro (originalmente cantada por Victória Williams, regravada e mais conhecida na voz de Eddie Vedder do Pearl Jam), Crazy Mary mergulha na mente doentia de uma pessoa capaz de matar só para tirar um problema do caminho. Mas, quem seria essa pessoa? Todos podem ter um bom motivo para matar. Ou não. Tudo acontece numa pequena cidade Serrana, envolto em um clima meio morto, onde é possível encontrar um mercadinho bem aconchegante e uma lanchonete que serve panquecas americanas. Ruas cheias de árvores e caminhos de terra dentre a mata, cheio de suspense e com um “Q” de grunge, um rio calmo que corta a cidade, lá nos fundos da Serra. E é nesse clima que se desenrola o primeiro romance de terror psicológico do jovem paulista Thiago Assoni. 





"Porque de louco todo mundo tem um pouco" 

Uma história eletrizante!

O enredo gira em torno de Mary e Eddy, porém os antagonistas são tão importantes quanto os protagonistas. E tudo se inicia quando Eddy, um jovem de dezoito anos, encontra Mary, uma adolescente de quinze anos, no meio da mata, um tanto transtornada e lavando-se num rio, próximo onde a família dele tem uma casa, longe da cidade, onde costumam desfrutar como lazer.
Qual não foi a sua surpresa ao ver aquela garota encolhida ali, junto ao rio, lavando suas pernas e braços. Ela chorava, jogando água fria sobre sua pele e Eddy tremeu ao ver a cena, como se a água jogada nela causasse frio nele. Ficou alguns minutos ali parado, encostado na árvore, vendo a menina se lavar. Ela jogava água com raiva, como se estivesse com alguma coceira ou tentando tirar algo que não era sujeira. Eddy via a água vermelha escorrendo por suas pernas e percebeu que era sangue. (Livro: Crazy Mary, Pág.12)
Como o bom rapaz que costuma ser, Eddy resgata Mary, levando-a para a casa onde está com a família, a mesma que costuma ir para  digamos assim  desanuviar. E logo de cara sua família torce o bico por ele ter feito isso. Porém, não o impede de dar aquele inicial apoio a garota. Mary é uma adolescente diferente, no estilo grunge/andrógino e de temperamento forte, ela tem uma família totalmente desestruturada e sofre horrores nas mãos do padrasto, Ray, e também de sua mãe, Cherrie. Além disso, a garota tem um envolvimento com JR, um rapaz de dezenove anos, também de temperamento forte e que faz parte de um moto clube.
 Sua casa da piscina é maior do que a minha casa...
 E onde é que você mora?

 Você deve conhecer...  ela sorriu, triste.  A casa na curva da estrada.

Os olhos de Eddy brilharam e o sentimento que tomou conta dele foi algo desconhecido para ele. Então ela morava lá, naquele lugar que ele sempre ficava observando. (Livro: Crazy Mary, Pág.15) 

Eddy e Mary se entregam numa noite de amor, algo que deixa não só eles, como também JR, desestruturados. E além de todas essas intempéries, numa dentre tantas discussões em casa, Mary descobre por meio de sua mãe e de seu padrasto, algo que a deixa ainda mais consternada, fazendo com que ela se mude, indo morar num quartinho atrás da vendinha onde presta serviços. Nesse meio tempo, Eddy volta para a cidade com a família, enquanto JR se enfurece desconfiando da garota. Por impulso, dias depois, Eddy retorna a procura de Mary, dando de cara com JR, Cherrie e, principalmente, Ray, que está ameaçando a garota para que volte para a casa na curva da estrada. A garota se nega a isso, e na mesma noite acontece um macabro assassinato, fazendo de todos suspeitos.
O sangue gelou ao sentir o toque frio na pele. Os dedos gélidos se fecharam sobre o tornozelo de Mary, que ficou sem se mover. Um segundo pareceu uma eternidade, que não conseguia olhar para baixo nesse curto espaço de tempo, com medo do que encontraria ao ver o seu pé. Sentiu, também, um tremor tomar conta de seu corpo e o grito não saiu de sua garganta, ficou entalado como se preso por alguma coisa. A única coisa que conseguiu fazer, finalmente, foi olhar para baixo. (Livro: Crazy Mary, Páginas 110 e 111)
Todos os suspeitos começam a ter visões fantasmagóricas, inclusive Eddy, que sofre de uma doença que deixa as autoridades ainda mais desconfiada dele, com o envolvimento em tal assassinato. Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Não espere flores e firulas com essa leitura, pois trata-se de um thriller de terror psicológico, onde o leitor ficará a mercê de um jogo de empurra muito bem construído e instigante, levando-o para todos os lados, deixando-o confuso. Em algumas ocasiões me senti como a própria Mary, em tantas outras como o Eddy, ficando numa sinuca de bico, indagando-me se o que acontecia era real ou um subterfúgio da minha mente. No entanto, percebi que essa é a intenção do autor, ou seja, levar o leitor do irreal para o real, num jogo investigativo e regado por mentes desestruturadas, mostrando que até mesmo o improvável pode tornar-se provável.

As cenas de terror são muito boas, típicas de um thriller à la Stephen KingJoe Hill, algo que o autor deixa claro (ainda na sinopse), como inspiração para o enredo. A propósito, em uma das cenas, lembrei-me de "Cemitério Maldito", obra de King que foi adaptada para as telonas , e isso só me deixou com mais vontade de ver essa história também adaptada para as telonas. A canção "Crazy Mary", que está no book trailer acima, mais conhecida na voz de Eddie Vedder (vocalista da banda Pearl Jam), caiu em perfeição como fundo do enredo. As bandas/cantores citados na trama, do gênero que mais AMO, ou seja, o GRUNGE, me deixou ainda mais envolvida com todos os cenários/cenas. E o final... Ahhh, foi surpreendente e fantástico!!! Se eu gostei? NÃO, EU NÃO GOSTEI! EU AMEI! E leria até mesmo a lista de compras do autor. \o

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornado por papel offset (o branquinho); e a capa condiz com o enredo, estampando a tão obscura estrada que leva até a casa da curva, a mesma que Mary e sua doida família moram. Se você curte o gênero, cai dentro... o/


Livro: Crazy Mary
Autor: Thiago Assoni
Gênero: Suspense/Terror
Editora: Aped
Ano: 2012
Páginas: 240

23 de fev de 2017

[Crônica]: SOUVENIRS — por Chico Garcia

Sempre esqueço um pouco de mim quando conheço alguém. Por mais desinteressada que eu esteja, troco algumas palavras bobas do meu dia com as mais bobas ainda do seu e lá vou eu deixar uma peça do meu quebra-cabeça que você nunca vai conseguir montar. 

Certo dia foi um brinco de pérolas, aqueles redondinhos combinando com meu esmalte naquele vermelho intenso. Tão intenso como eu gostaria que tivesse sido o nosso encontro. E mesmo assim, como um souvenir da nossa jornada, com passagem de ida e volta pra mim, o brinco ficou. Minha esperança de algo maior também. Ficou tudo o que eu podia entregar pra você. 

Não me peça nada além de brincos usados, da casca do meu esmalte, da minha porta fechada, da minha caixa postal, da minha nuca indo embora, da saudade que você vai sentir, do meu perfume na sua almofada da sala, da minha ausência e do meu resto de batom no gargalo da garrafa de Smirnoff Ice, em cima da mesa de centro. 

Outro dia foi uma echarpe. Roxa, combinando com meu ar de superioridade e minha altura que sempre te assusta. Ficou lá, pois você tomou o lugar dela no meu pescoço. E quando saí deixei a echarpe e um pouco da minha consciência. Não foi o Martini que me deixou assim, foi o álcool da tua saliva, teu toque sinuoso nas minhas coxas, teu cheiro inebriante. 

Ali não foi proposital. Não foi um souvenir como um ticket de lembrança pela nossa viagem, que eu espero repetir em breve  inclusive para pararmos numa estação mais distante. Foi um troco. Uns trocados do preço que me custou aquilo que ganhei de ti. Algo maior do que eu esperava, uma garantia que eu buscava, um contrato de vulnerabilidade assinado apenas por mim. Se quiser ficar com a echarpe, faça bom proveito. Até porque, meu pescoço nunca mais será o mesmo. 

O fato é que independente do que sobrar de mim, meus resquícios de paixão serão sempre um recado. Uma mensagem para você decifrar o quanto me tem de verdade. Brincos, anéis, pulseiras, minha caneca preferida, uma peça de roupa, um beijo desmemoriado, um abraço pela metade, um tchau pedindo oi, ou um “então tá” (dando de ombros), significando uma lista de desejos que você nunca desvendou. 

Souvenirs são parte de mim, parte do que quero deixar para depois voltar. Meu inconsciente querendo permanecer. Me peça para ficar e me leve com você. Ou então aproveite os fragmentos dessa história, sinta meu cheiro em qualquer peça de roupa e perceba o quanto fui intensa quando estivemos juntos. 
Souvenirs representam o troféu da despedida. É uma espécie gostosa de Adeus.
Por: Chico Garcia
Via: Crônicas do Chico

21 de fev de 2017

[Falando em]: Não conte a ninguém — de Harlan Coben

Eu já li e resenhei esse livro anos atrás, no meu antigo blog. E como estou sem novas leituras em livro físico, resolvi reler algumas preciosidades e fazer novas resenhas. Eis que novamente me deparo com um enredo incrível, escrito por uma mente brilhante. A propósito, tive a oportunidade de ver o autor à distância, em 2014, na Bienal. Agora confira a sinopse e resenha de “Não conte a ninguém”, obra de Harlan Coben, uma publicação da editora Arqueiro.


Sinopse: Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer. O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail, que, aparentemente, só pode ter sido enviado por sua esposa. Esses novos fatos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem respostas: Como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? E, se estiver, de quem era o corpo enterrado oito anos antes? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido? Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David Beck contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, a modelo Shauna, da célebre advogada Hester Crimstein e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar sua inocência. Não conte a ninguém foi o livro mais aclamado de 2001, indicado para diversos prêmios, entre eles Edgar, Anthony, Macavity, Nero e Barry. Em 2006 foi adaptado para o cinema numa produção francesa vencedora de quatro Cesars (o Oscar francês), inclusive de melhor ator e diretor.


"Porque manter segredo pode ser a única opção"





Um enredo de perder o fôlego! 

David e Elizabeth se conheceram na infância. Desde então ficaram muito amigos, acabando por despertar um sentimento vigente. Aos doze anos, deram o primeiro beijo e passaram a fazer anualmente um ritual romântico, marcando a paixão que ambos sentiam em uma árvore. A paixão infantil tornou-se amor, fazendo com que eles se casassem. Porém, em uma das comemorações, no lago que pertence à família da David, onde se encontra a árvore, acontece uma tragédia... 
Algo que parecia ser um taco de beisebol atingiu-me bem no peito. Meus olhos se arregalaram. Curvei-me, sufocando. Sem ar. Outro golpe. Desta vez no alto do crânio. Senti um estalo na cabeça, como se tivessem enfiado um prego em minha têmpora. Minhas pernas fraquejaram e caí de joelhos no chão. Totalmente desorientado, coloquei as mãos sobre as laterais da cabeça, tentando protegê-la. O golpe seguinte  o último  atingiu-me bem no rosto. Tombei para trás e caí de volta no lago. Meus olhos se fecharam. Ouvi Elizabeth gritar novamente  dessa vez ela gritou meu nome , mas o som, todos os sons desapareceram quando afundei. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.12) 
David é golpeado, caindo desacordado no lago. Enquanto Elizabeth é raptada, aparentemente por um serial killer. E lá se foram oito anos... David empurra os dias com a barriga, trabalhando como pediatra e tentando se conformar com a perda da esposa, além de estar rodeado por sua melhor amiga, Shauna, uma modelo Pluz Size famosa, que é namorada de sua irmã mais velha, Linda. No entanto, num dia como qualquer outro, David recebe um e-mail. De ímpeto ele se espanta, pois parece que a mensagem foi enviada por sua falecida mulher, com palavras que apenas os dois eram íntimos, fazendo-o acreditar na possibilidade de ela estar viva. 
Ela manteve a mão levantada. Lentamente, consegui levantar a minha mão. Meus dedos tocaram a tela quente, tentando encontrar os dela. Mais lágrimas rolaram. Acariciei suavemente o rosto da mulher e senti meu coração afundar e alçar voo ao mesmo tempo. 
  Elizabeth  murmurei. 

Ela permaneceu ali por mais alguns segundos. Depois, disse algo para a câmera. Não pude ouvi-la, mas consegui ler os seus lábios. 

 Sinto muito  balbuciou minha esposa morta. 

E saiu andando. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.32) 

A mensagem chega como um golpe de misericórdia, fazendo com que ele veja sua mulher viva, disfarçada e desculpando-se. Sendo assim, ele passa a se indagar sobre muitas coisas, procurando respostas nos lugares mais improváveis, sendo perseguido pelo FBI e ficando a mercê de pessoas muito perigosas, da alta sociedade. E no meio de toda essa turbulência, depois de oito anos, David acaba sendo acusado pelo assassinato da mulher e também o 'recente assassinato' de uma das amigas de sua esposa. Contudo, mesmo sendo acusado, ele ainda pode contar com a ajuda da sua melhor amiga, Shauna, a excelente advogada Hester Crimsteim, e também de um traficante chamado Tyrese.
Mais tiros. Mas  e forcei os ouvidos  já não ouvia a estática do rádio da polícia. Continuei agachado e tentei não pensar demais. Meu cérebro parecia ter entrado em curto-circuito. Três dias antes, eu era um médico dedicado vagando pela minha própria vida como um sonâmbulo. Desde então, eu vira um fantasma, recebera e-mails de minha mulher morta, tornara-se suspeito não de um, mas de dois assassinatos, virara foragido da polícia, atacara um policial e pedira ajuda a um traficante de drogas. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.138)
Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers.  

Este é o tipo de enredo que não se pode falar muito... Uma história contagiante do início ao fim, que me fez devorar as páginas e me deixou ansiando pelo desfecho final. O autor, além de ter uma escrita excelente, sabe criar um enredo de cunho investigativo e com muito suspense. Embasado em teorias, a trama me levou para diversos lugares: ora desconfiando de um, ora tendo a certeza de outro. E, por fim, fiquei de queixo caído com o desfecho, que foi se revelando em doses homeopáticas, algo que gosto muito. 

Eu torci demais por David, e queria poder entrar no livro para ajudá-lo. A propósito, imaginei todos os cenários (e cenas) , e agora, mais do que nunca, quero assistir a adaptação desta maravilhosa história para as telonas, uma produção francesa de 2006. O final foi bombástico, e quando eu digo o final... é o finalzinho mesmo, quando pensei que aquele era o fim, vem o autor com a sua incrível capacidade de surpreender e... Boom! Eu simplesmente AMEI! Este foi o único livro do autor que li, mas depois de toda essa turbulência, eu leria até mesmo a sua lista de compras. o/

O enredo é intercalado em primeira e terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornada em papel pólen (o amarelinho); e a capa é perfeita, estampando um lago, ou seja, o cenário onde começa a história. Se você é fã do gênero policial/suspense... Cai dentro! 


Livro: Não conte a ninguém
Autor: Harlan Coben
Gênero: Policial/Investigativo
Editora: Arqueiro
Ano: 2009
Páginas: 256

19 de fev de 2017

[Tradução]: Addicted To Love

Que tal esquentar o dia... ou a noite... ou a madrugada... com esse vídeo de perder o fôlego, com a tradução de Addicted To Love, da Florence and the Machine. Vem junto! \o

P.S: Vídeo editado por Simone Pesci

[Do quadro]: Quotes Inesquecíveis

São tantos os quotes que EU AMO! No entanto, resolvi postar apenas seis. Lembrando que você pode conferir as resenhas dos livros aqui no blog. Bem-vindo!


(clique em cima da imagem para maior resolução)
 

 

 


✔  Confira as resenhas destes e de tantos outros
livros (de diversos gêneros), clicando AQUI.

17 de fev de 2017

(IM)PROVÁVEL — por Simone Pesci

Olá! 

A propósito, deixa eu me apresentar... 

Sou uma mulher que sonha como uma garota. O problema é que acabei de completar trinta e oito verões (estou dizendo verões porque não sei se chegarei ao outono). E falando nisso, já faz anos que não me sinto viva, e o mais difícil é esconder a minha inércia, principalmente tratando-se da minha família, pois de forma alguma quero vê-los sofrer. Na verdade, minutos antes, estava trancada em meu quarto, chorando descontroladamente e fixando ainda mais a data que planejei para colocar um fim nessa dor excruciante. 

Já faz um pouco mais de dois meses que iniciei um tratamento, onde fui medicada com dois remédios, um deles para que eu consiga dormir, algo que nem sempre dá certo. Penso que isso seja uma pegadinha, apenas para prolongar a dor, e não estou falando da dor física... O que me incomoda é a dor espiritual.

Dias atrás, quando resolvi dar um pulinho na casa da vizinha, para rever uma colega que estava por lá, comecei a sentir o meu coração palpitar de forma descontrolada, além da tremedeira nas mãos e o suor escorrendo pela testa. Tive que explicar a minha condição, algo que a colega e outros poucos presentes compreenderam. Aliás, a colega disse que passou pelo mesmo (tempos atrás), inclusive sendo o receptáculo dos mesmos remédios que eu diariamente tenho que ingerir. Todos tentaram me encorajar com palavras de apoio do tipo: "Você tem que se reerguer"... "Seja forte". Eu até entendo a boa intenção de todos, mas posso dar uma dica... JAMAIS TENTE ENCORAJAR UM PACIENTE COM DIAGNÓSTICO PELA CID-10: F41.2 + F41.1 + F.40.1 + F40.8, POIS ISSO O DEIXA AINDA  MAIS APAVORADO.

E quem diria que eu, a garota bonita e comunicativa da balada, a escritora que deu vida a dois enredos (um de forma independente e outro por uma editora canastrona), poderia estar assim, já com a data planejada do seu fim. Mas espere um pouco, não se apavore também, pois esse é apenas o esboço de uma ideia que tive minutos atrás, quando estava num pranto devastador, imaginando quem estaria no meu velório. Foi então que o meu coração palpitou ainda mais, pois se isso vir a acontecer, de forma alguma quero um velório, espero apenas que me incinerem nas brasas do último Adeus. 

A acusação ainda é (IM)PROVÁVEL, quem sabe a dor espiritual se torne um lindo enredo — mesmo que fictício , com um final feliz. Ah, esqueci de me apresentar...


 Prazer, eu me chamo ESPERANÇA!

Texto por: Simone Pesci 

Languidez — por Florbela Espanca


Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tens uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonhos pelo ar

Por: Florbela Espanca