3 de mai de 2016

[Falando em]: A Cabana — de William P. Young

Fazer a resenha deste livro chega a ser algo inimaginável, pois o AMO com todo meu coração. Aliás, eu o li pela primeira vez em meados de 2008/2009 (não me recordo ao certo), e a experiência foi SENSACIONAL. E o melhor ainda é perceber que, pela segunda vez, fui tocada da mesma forma, em grandeza e verdade, algo que poucas leituras conseguem fazer comigo. Agora confira a sinopse e resenha  dessa maravilha que leva como título "A Cabana", obra de William P. Young, uma publicação da editora Sextante.


Sinopse: Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa velha cabana. Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus convidando-o  a voltar à cabana onde aconteceu a tragédia. Apesar de desconfiado, ele vai ao local numa tarde de inverno e adentra passo a passo o cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre. Em um mundo cruel e injusto, A Cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento? As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar sua vida de maneira tão profunda, como aconteceu com ele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.


"Não há sofrimento na Terra que o Céu não possa curar"

Sensível!
Emocionante!
Surpreendente!


Em primeiro lugar, o leitor que decidir se enveredar nessa leitura, deve deixar de lado o apostolado ou conversão e abrir o coração, pois trata-se de um enredo onde a fé e o perdão são peças-chave da trama. Estou dizendo isso porque já vi muitos pareceres negativos referente ao livro, o que me deixou de queixo caído, pois em sua maioria são de pessoas que ficam questionando religiões e crenças e não se dão conta da grandiosidade que a obra carrega consigo. Então vamos lá...

O que você faria se ficasse de frente com Deus e tivesse a chance
de questioná-lo sobre tantas coisas que lhe perturbam e das quais sofre?

Mackenzie Allan Fhillips (ou Mack), é casado há mais de 33 anos com Nan, pai de 5 filhos: Jon, Tyler, Josh, Katherine (Kate) e, por fim, a caçula Melissa (Missy). Ele, o patriarca, é um homem de fé, porém não é tão íntimo de Deus como sua esposa e seus filhos, que têm como mania intitulá-lo como "papai". Sua esposa, Nan, é uma enfermeira que trabalha o tempo todo. Desta forma, em mais um final de semana que ela está trabalhando, Mack resolve curtir um acampamento com três dos seus filhos. Contudo, nessa viagem, acontece algo terrível e perturbador, pois sua tão doce e amada caçula, Missy, desaparece no último dia de acampamento, o que deixa todos em pânico, numa fatídica busca pela garotinha. No entanto, o terrível se faz óbvio, assim que constatam o vestido vermelho que a menina usava manchado com sangue, dentro de uma cabana próxima ao acampamento.
Pela primeira vez desde o desaparecimento de Missy permitiu-se considerar o alcance das possibilidades mais horrendas e, assim que isso começou, não parou mais: imagens de coisas boas e coisas terríveis misturadas num desfile apavorante. Algumas eram instantâneos abomináveis de tortura e dor, de monstros e demônios da escuridão mais profunda, com dedos de arame farpado e toques de navalha, de Missy gritando pelo pai e ninguém respondendo. Misturados com esses horrores havia lampejos de outras lembranças: a menina aprendendo a andar, com o rosto lambuzado de chocolate, fazendo caretinhas engraçadas. Sobrepunha-se a todas a imagem tão recente de Missy caindo no sono, aninhada no colo  do pai. (Livro: A Cabana, Pág. 51)
Passaram-se 4 anos e Mack, agora, está até mais descrente de fé e culpando a Deus pelo que aconteceu. E, repentinamente, em um dia congelante, ele recebe uma carta assinada por "papai", convidando-o para um final de semana naquele lugar que tanto tem pavor, ou seja, a cabana. De início ele se enfurece, achando que é uma brincadeira de mal gosto feita por alguém ou até mesmo o próprio assassino de sua filha marcando um encontro. E sem hesitar, ocultando tal carta da esposa, Mack faz com que Nan e os filhos viagem no final de semana para a casa da sua irmã, e, assim, segue para o seu tão aterrorizante pesadelo, ou seja, a cabana. 
 Viver sem ser amado é como cortar as asas de um pássaro e tirar sua capacidade de voar. Não é algo que eu queira pra você.
Aí é que estava. No momento ele não se sentia particularmente amado.

 Mack, a dor tem a capacidade de cortar nossas asas e nos impedir de voar.  Ela esperou um momento, permitindo que suas palavras assentassem.  E, se essa situação persistir por muito tempo, você quase pode esquecer que foi criado originalmente para voar. 

Mack ficou quieto. Estranhamente, o silêncio não era desconfortável assim. Olhou o pássaro. O pássaro olhou de volta para Mack. Ele imaginou se seria possível os pássaros sorrirem. Pelo menos aquele parecia capaz. 

 Não sou como você, Mack. 

Não era uma repreensão, e sim a simples declaração de um fato. Mas para Mack foi como um banho de água gelada. 

 Sou Deus. Sou quem sou. E, ao contrário de você, minhas asas não podem ser cortadas. (Livro: A Cabana, Páginas 87/88)

Assim que Mack se vê dentro da cabana, algo acontece... Ele fica de frente com Deus, Jesus e o Espírito Santo. Contudo, bem diferente do que aprendeu, Deus é uma mulher robusta e mulata, Jesus é um moreno alto e aparentemente de outra etnia e o Espírito Santo uma jovem asiática. Ambos são um só. Porém, o tempo todo, mostram para Mack que nem tudo é estereotipado e o que realmente importa é o coração, longe das armadilhas que lhe são impostas. Desta forma, ele segue o final de semana numa nova experiência, onde o verdadeiro o coloca à prova, seja em sentimentos ou fé e principalmente no seu subjugar, tentando mostrar a ele um outro caminho que o fará melhor, apesar de toda dor e revolta. 
 Ah, filho  disse Papai com ternura.  Jamais desconsidere a maravilha das suas lágrimas. Elas podem ser águas curativas e uma fonte de alegria. Algumas vezes são as melhores palavras que o coração pode falar. 
Mack parou e encarou Papai. Jamais havia olhado para um amor, uma delicadeza, uma esperança e uma alegria tão puras. 

 Mas você prometeu que um dia não haverá mais lágrimas. Estou ansioso por isso. 

Papai sorriu, encostou os dedos no rosto de Mack e gentilmente enxugou as faces marcadas pelas lágrimas. 

 Mackenzie, este mundo está cheio de lágrimas, mas, se você lembra, prometi que seria Eu quem iria enxugá-las de seus olhos. (Livro: A Cabana, Páginas 212/213)

Em meio a verdade e dor, Mack esforça-se para encontrar o seu equilíbrio, tentando perdoar aquele que cometeu tal ato assombroso com sua Missy e também deixando de culpar a Deus por não ter feito nada na ocasião. Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers.

Não haveria momento mais propício que este para eu reler esse livro. Afinal, estou num conflito interno, e essa leitura de fato apaziguou (em partes) o meu coração.  Trata-se de um livro onde sua abordagem provém de fé, e apesar de muitos falarem que é uma leitura  digamos assim, prosélita  de forma alguma eu a enxerguei assim, nem mesmo quando o li pela primeira vez. É uma leitura que aborda o questionamento interno de quem se propõe a lê-lo, desde que não seja alienado por doutrina alguma.

A Cabana não se trata de conversão, tampouco de religião. Se trata do quão estamos propícios a julgar e condenar, especialmente a Deus por não ser o receptáculo do bem que tanto esperamos, como se ele tivesse obrigação de evitar todos os males do mundo. Deus não faz o mal. O mal está dentro de nós e cabe somente a nós seguirmos a probidade ou o infortúnio

Esse livro é um grande aprendizado, onde poucos conseguem compreender e apenas julgam e condenam, o que a meu ver é uma grande pegadinha, reforçando o que o autor diz logo no início: "Se você odiar  esta história, desculpe, ela não foi escrita para você." Eu, particularmente, apesar de ser católica não praticante, compreendi perfeitamente a grandiosidade em palavras que essa maravilha leva consigo, sem subjugar ou condenar, e tive a certeza de que foi escrita pra mim. \o Espero que essa resenha consiga tocar tantos outros corações, e faça com que compreendam o real motivo desta leitura excepcional. Agora ficarei aqui, ansiando em ler outros títulos do escritor e digo mais: "Eu leria até mesmo a lista de compras do William P. Young". S2

O livro é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fontes e espaçamentos na medida certa, envolta em papel pólen (o amarelinho); e a capa é linda, estampando o lugar onde toda a trama acontece, ou seja, A Cabana. Por fim, para você que está a fim de ler um conteúdo lindo e com fundo refletivo, eis essa MAGNÍFICA pedida. Eu mego indico! \o 



Livro: A Cabana
Autor: Wiliam P. Young
Gênero: Ficção Americana
Editora: Sextante
Ano: 2008
Páginas:240

6 comentários

  1. Oi Simone! Linda resenha! Gostei muito. Eu também li esse livro em meados de 2008, quando se falava muito dele. Estava viajando e comprei de curiosidade em uma livraria de um aeroporto e não consegui largá-lo durante toda a viagem. Agora, lendo sua resenha, e diga-se de passagem, muito bem escrita e com grande sabedoria, fiquei com vontade de ler o livro novamente. Grande abraço.

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    1. Ad, bem-vindo!
      Então, é uma pena que a obra não consiga tocar outros tantos como nos tocou, não é mesmo? De qualquer forma, o que vale é a intenção, principalmente de quem está disposto a ler. Pois bem, eu também o reli num lampejo de anseio, quando vi dois quotes que uma colega do face postou. E como da primeira vez, valeu muito a pena. É uma leitura sem igual e sensacional. S2

      Abraços e volte sempre!!!

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  2. Nossa terceira tentativa kkkk

    Meu PC está um lixo.
    Si eu disse kkkk que achei sua resenha magnifica.
    Tenho o livro, acho que mais de 3 anos, mas infelizmente ele nunca me atraiu. Sei que preciso ler, mas vou deixando. Espero agora que possa lê-lo em breve.

    Amei tudo o que escreveu e me fez ver de outra forma o que esperar do livro.

    beijosss

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    1. Oi, Fer!!!
      Mais de três anos? Jura? hahaha
      Espero que a leitura seja agradável e te toque assim como me tocou. É um contexto que aborda o interno, ou seja, o coração, e isso às vezes deixa a desejar para alguns. Boa leitura e depois me conta o que achou, ok?

      Beijossssssssssss

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  3. Nossa, fiquei arrepiada com a sinopse, resenha, tudo! Agora entendi a causa de tantas opiniões controversas... São poucos que irão compreender o livro e claro, depois do trailer que você compartilhou, não vou esperar mais para embarcar nesse mundo! Obrigada pela dica! ♥

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    1. SIM, Li! Trata-se de um livro polêmico. Afinal de contas, não são todos que conseguem compreender a grandiosidade do contexto. Leia SIM, acredito que você vai curtir.

      Beijossssss

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