1 de nov de 2016

O céu é de Rock — por Simone Pesci

Naquela tarde, fiquei por horas admirando a estupenda imensidão azul. Por vezes permaneci imaginando o motivo de ainda não fazer parte dela. E num lampejo de não-lucidez, quando estava a mercê da minha loucura, viajei em pensamentos. Foi quando me deparei dentro de um céu bem particular, onde não haviam sinos e anjos. Aquele era um "céu de rock", onde os meus ídolos, aqueles que ainda impulsionam o meu coração, me chamaram para juntar-se a Eles. 

Apesar de feliz e honrada pela oportunidade, senti um desconforto. No entanto, envolta numa coragem que estava adormecida, sentei-me ao lado Deles. E por pouco não sucumbi, implorando até mesmo o inferno. Eles, por outro lado, conseguiram sentir o meu nervosismo... E acabaram por ficar tão nervosos quanto eu. Ficamos nos observando por minutos a fio, numa análise intensa. E depois de um tempo em profundo silêncio, Renato falou:

 É a verdade o que assombra, o descaso que condena, a estupidez o que destrói...

Fiquei embasbacada com suas palavras, mas, no fundo, sabia que elas faziam sentido: a verdade sempre me assombrava, levando-me ao descaso que me condenava a tomar atitudes estúpidas e destruidoras. Porém, alguns resultados não era de todo mal. E sem hesitar, quebrei o desconforto que me dominava e embrenhei-me em continuar com o dedo de prosa.

 Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem, ou que os seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém...  rebati com uma de suas letras. 

Ele encarou-me de forma intensa, deixando-me desconcertada. Por um instante pensei que ele rebateria com um longo texto adornado em poesia. Contudo, ele apenas sorriu de canto e chegou mais perto, beijando-me na testa. 

 Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu.  disse ele, voltando a sentar-se no lugar de antes.

De imediato compreendi a mensagem, e de certa forma, me senti em paz. Apesar da minha estranha e obscura particularidade, eu sabia amar. Continuei ao lado Deles, insegura com o que viria a seguir... E antes mesmo de dizer algo, ouvi outra voz conhecida... 

 Acho que ser natural e sincero é o que realmente importa.  disse Fred, esboçando um sorriso carregado de sinceridade.

E novamente senti-me em paz. E apesar de estar envolta em tormentos, ainda prezava por sinceridade e naturalidade. E sem medir as palavras, fitei seus intensos olhos e respondi com uma de suas frases:

 É tão real esse sentimento de faz de conta. We are the champions, my friends exprimi, encarando a todos.

Todos sorriram brandamente, como se compreendessem a minha resposta. Por um ínfimo e mágico instante, continuamos em silêncio, apenas nos observando. Foi quando, repentinamente, Janis balbuciou: 

 Cry baby, cry baby...  ela aproximou-se e tocou a minha cabeça.

E sem vergonha alguma, caí em pranto profundo. E por tempo indeterminado, chorei o refrão da sua canção. E com os olhos marejados, respondi:

— Honey, welcome back home! 

Notei que todos me encararam com preocupação, devido o peso do que eu acabara de dizer. Afinal, eu não estava de volta ao lar, pois ainda fazia parte da selva de pedra. Foi quando Kurt se aproximou e sentou-se ao meu lado, segurando a minha mão direita, erguendo o meu queixo e fazendo com que os nossos olhos se encontrassem. Em seguida, disse:

 A cada dia todos nós passamos pelo céu e pelo inferno!

Ele beijou-me no rosto com carinho, e vertiginosamente afastou-se. Porém, até que eu me despedisse, continuou a me observar com carinho. 

Fiquei por mais algumas horas ao lado Deles: tivemos estranhos momentos silenciosos, outros tantos compartilhados em sabores e dissabores. Eu não queria voltar, mas sabia que por lá não poderia continuar. E com o coração já saudoso, abracei a todos de uma só vez e me despedi dizendo:

 Obrigada! Paz, Amor e Empatia!

Texto por: Simone Pesci
Imagem via: Vírgula/UOL

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